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Cresce uso de controle ecológico como opção a agrotóxico no Brasil

Soltura de minivespas em pomar de laranja em Itapetininga (SP)

O consumo de agrotóxicos nas lavouras brasileiras deve cair nos próximos anos, acreditam pesquisadores ouvidos pela Folha. A principal razão é a adoção do controle biológico, com o uso de inimigos naturais, armadilhas e iscas no combate de pragas.

Segundo o Ministério da Agricultura, o país já registra 143 produtos biológicos, que incluem plantas, bactérias, fungos e agentes predadores. Até 2010, eram 19.

O crescimento impressiona, mas o número de bioinseticidas protocolados no país é pequeno se comparado ao de outras nações, segundo Rogério Pereira Dias, ex-coordenador de agroecologia do Ministério da Agricultura e integrante da Associação Brasileira de Agroecologia.

Na Europa, esse perfil de produtos representa 15% do mercado e nos EUA, 6%; no Brasil não passa de 1%.

Segundo Dias, se quiser seguir a trilha e produzir defensivos biológicos em larga escala, o país terá de criar políticas públicas para viabilizar a construção de laboratórios de pesquisa de agentes de controle biológico. “A técnica existe e funciona, mas falta infraestrutura para torná-la economicamente viável.”

Não faltam exemplos de uso do controle biológico. Agricultores da cana-de-açúcar descobriram que a vespa Trichogramma galloi é grande aliada no controle da broca, uma das pragas mais comuns em canaviais.

O inseto é usado nos 2.000 hectares da fazenda Capão da Cruz, no município de Luís Antônio (SP). “Também usamos vários inimigos naturais, como vespa, bactérias e fungos, com eficiência de 65% a 70%, para restabelecer a fauna do solo e recompor o ecossistema”, afirma Cássio Silva, gerente agrícola.

Gerson Stein, produtor de tomates do sítio Paraíso, de Sumaré (SP), abandonou o controle químico há dez anos. “Começamos a testar o bioinseticida em pequenas áreas, ganhamos confiança e hoje só usamos fungos e bactérias para controlar as pragas.”

Nos 1.800 hectares da fazenda Capuaba, que cultiva soja, milho, arroz, sorgo e feijão em Lucas do Rio Verde (MT), o produtor José Eduardo de Macedo Soares Junior adota um conjunto de medidas para combater infestações conhecido pela sigla MIP (Manejo Integrado de Pragas).

“Na maioria das vezes, não aplicamos o produto químico, usamos inimigos biológicos”, diz Soares Junior. Entre eles, o Bacillus subtilis, bactéria que combate lagartas, e o fungo Beauveria bassiana, predador da mosca branca.

Outro produtor que se vale do MIP, nos 209 mil hectares plantados de eucalipto e pinus, é a Klabin. Segundo Mariane Bueno de Camargo, pesquisadora de fitossanidade florestal, a empresa usa o Deladenus siricidicola, um verme que combate a vespa da madeira e, para o besouro desfolhador, pulveriza o fungo Beauveria bassiana.

A pior praga dos pomares de citros (laranja, limão e tangerina), conhecida como greening ou amarelão, é provocada por várias bactérias e é transmitida por um inseto, o psilídeo Diaphorina citri.
O controle é feito no entorno das plantações com a minivespa Tamarixia radiata, inimiga do transmissor.

“Pulverizamos 1,8 milhão de vespinhas, com 80% de eficácia, mas falta vespa para cobrir toda a área plantada”, diz Juliano Ayres, gerente-geral do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura).

Uma das gigantes do setor, a Citrosuco já liberou 3,9 milhões de vespas nas lavouras. Em 2018, construirá três biofábricas para produzir 600 mil vespas por mês, destinadas a 26 fazendas.

 

Via Folha Uol.

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