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Agricultores investem R$ 80 mil em feira de orgânicos, mas gestão Doria não libera espaço

Feira foi retirada da Praça Ayrton Senna, sede desde 2012, para revitalização do espaço. Mas, após as obras, feirantes foram impedidos de trabalhar no local

feira

A feira de orgânicos do Modelódromo do Ibirapuera é realizada todos os sábados e recebe cerca de 1.800 pessoas

São Paulo – Três meses após a conclusão da revitalização da praça Ayrton Senna, no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, os agricultores que realizam a feira de orgânicos do chamado Modelódromo, onde fica a praça, temem pelo futuro de seus negócios. Isso porque a gestão do prefeito João Doria (PSDB) não permitiu que eles voltassem ao local onde a feira é realizada desde 2012, quando o evento foi criado pela gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD).

“Disseram que íamos poder voltar e pediram que investíssemos em infraestrutura, para ’embelezar’ a feira. Gastamos R$ 80 mil em uniformes e modernização das barracas. Daí o discurso mudou. Nosso medo é não mais conseguir recuperar os clientes e o investimento”, explicou a feirante Rachel Vaz Soraggi, que mantém uma tenda de café orgânico no local.

Segundo Rachel, a justificativa da gestão Doria para barrar o retorno ao local original da feira é que o piso instalado como parte da revitalização do local não suportaria a entrada dos caminhões com os produtos. “Nós aceitamos e propusemos que fossem contratados carregadores para fazer o trabalho. Mas aí passou a se dizer que o caminhão pipa, que faz a limpeza do espaço, também não podia passar”. Sem acordo, os feirantes têm utilizado a Rua Curitiba, em frente ao Modelódromo, para realizar a feira, aos sábados pela manhã.

O problema, alegam os feirantes, é que se perdeu boa parte do conjunto e da própria essência da feira. “A praça é arborizada, as pessoas vinham com a família para fazer um passeio, conversar, desfrutar a natureza. Realizamos rodas de conversa, oficinas. Na rua não tem essa possibilidade, é como uma feira livre comum”, explicou Rachel. Ela estima que os agricultores perderam de 30% a 40% dos clientes com a mudança.

“Chegamos a receber 3 mil pessoas. A média ficava em torno de 1.800 pessoas por sábado. São mil famílias divididas em 33 barracas, produtores que vendem direto ao consumidor e estão sendo muito prejudicados por essa situação criada pela prefeitura”, completou.

Os organizadores criaram uma petição no site Avaaz, reivindicando que “a feira seja mantida no mesmo local em que sempre se realizou na atual Praça Ayrton Senna, sem prejuízo de qualquer outra atividade do Centro Esportivo e dos cuidados necessários com a Praça”.

A feira é organizada desde 2012 pelas Secretarias Municipais do Esporte e do Trabalho e Empreendedorismo. O local utilizado era uma parte do calçadão que contorna a Praça Ayrton Senna. Na última reunião para tentar encontrar uma solução, realizada em julho, foi oferecido aos agricultores o espaço da pista de aeromodelismo para realizar a feira. Os feirantes não aceitaram, pois consideram que a situação é praticamente a mesma de ficar na Rua Curitiba.

A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Seme) afirmou, em nota, que não retirou a feira do Modelódromo do Ibirapuera e que apoia e quer a feira no espaço. “A feira orgânica foi colocada temporariamente na Rua Curitiba, onde está o principal acesso para os moradores da região ao Modelódromo do Ibirapuera, somente para que as obras da Praça Ayrton Senna do Brasil, inaugurada no dia 1º de maio e que também está próxima a essa entrada, pudessem acontecer (sic). Desde então, a SEME disponilizou uma área dentro do próprio clube, a cerca 30 metros do local original, com amplo espaço e acesso ao estacionamento, o que facilitará o trânsito dos veículos utilizados na descarga de produtos, de caminhões pipa e, até mesmo, dos usuários da feira. A feira orgânica, já há algum tempo, está autorizada a ser realizada dentro do Modelódromo no local proposto, que conta com toda a infraestrutura necessária, e pode voltar imediatamente para o clube.”

Via Rede Brasil Atual

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